Eleições
04/03/2026
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou uma série de resoluções que disciplinam as eleições deste ano. As normas foram votadas em sessões realizadas na segunda-feira (2) e na última semana.
Ao todo, o tribunal analisou regras sobre 12 temas, entre eles calendário eleitoral, propaganda, ilícitos eleitorais, registro de candidaturas, pesquisas e prestação de contas de campanha.
A cada pleito, o TSE revisa e atualiza as resoluções que regulam o processo eleitoral. O trabalho deste ano foi conduzido pelo vice-presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.
As minutas das resoluções foram divulgadas em janeiro para receber sugestões de especialistas, partidos e entidades da sociedade civil. Após análise das contribuições, o plenário aprovou as versões finais.
A seguir, os principais pontos das novas regras.
Inteligência artificial e propaganda eleitoral
Proibição de conteúdo gerado ou manipulado por IA nas 72 horas antes e até 24 horas depois do dia da votação.
Ampliação das obrigações das plataformas digitais, que terão de apresentar relatórios de risco eleitoral e planos de conformidade.
Inversão do ônus da prova em casos de suspeita de manipulação por IA, facilitando ações judiciais de partidos e do Ministério Público.
Chatbots e assistentes virtuais ficam proibidos de recomendar voto ou favorecer candidatos.
Mantida a proibição de deepfakes, com exigência de identificação quando houver uso de conteúdos sintéticos.
Registro de candidatura
Regulamentação do Requerimento de Declaração de Elegibilidade, mecanismo criado pelo Congresso no ano passado.
A ferramenta permite ao pré-candidato solicitar à Justiça Eleitoral uma verificação antecipada de elegibilidade, funcionando como uma espécie de atestado prévio de ficha limpa.
Prestação de contas
Passa a ser permitido usar recursos do financiamento público de campanha para ações de combate à violência política contra mulheres, incluindo contratação de segurança.
Esses gastos não poderão ser contabilizados para o cumprimento da cota mínima de 30% do fundo eleitoral destinada às candidaturas femininas.
Ilícitos eleitorais
O uso irregular de inteligência artificial passa a ser tipificado como infração eleitoral.
Nos casos de desvio de recursos destinados a candidaturas de mulheres, pessoas negras ou indígenas, a gravidade da irregularidade não dependerá do valor envolvido.
Pesquisas eleitorais
Institutos de pesquisa deverão apresentar declaração formal do estatístico responsável, atestando seu vínculo profissional.
O profissional deverá garantir a manutenção de documentação auditável e declarar ciência das sanções em caso de fraude ou falsidade.
Transporte de eleitores com deficiência
Criação do programa “Seu Voto Importa”, que prevê transporte individual gratuito no dia da eleição para eleitores com deficiência ou mobilidade reduzida sem meios próprios de locomoção.
A iniciativa também contempla povos indígenas, comunidades quilombolas e populações tradicionais.
Procedimentos e ritos eleitorais
Atualização das normas sobre atos preparatórios da eleição, votação, apuração, totalização e diplomação dos eleitos.
Inclusão formal do teste de integridade das urnas eletrônicas com biometria, mecanismo que começou a ser aplicado nas eleições de 2022.
Definição de novos casos de julgamento prioritário relacionados ao cadastro eleitoral.
Com as resoluções aprovadas, o TSE consolida o conjunto de normas que regerá o processo eleitoral deste ano, com foco especial no controle do uso de tecnologias digitais e inteligência artificial nas campanhas.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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