TRE já suspendeu seis pesquisas favoráveis a Álvaro Dias

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Gabriel Leite
Decisões apontaram diferentes irregularidades em pesquisas que apontavam liderança de Álvaro Dias.

Política

03/09/2026

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte já retirou de circulação seis pesquisas eleitorais que apresentaram Álvaro Dias (PL) na liderança ou em situação competitiva na disputa pelo Governo do Estado. Os levantamentos são dos institutos Veritá, PNH/Affare, Ipsensus e Média Inteligência, segundo levantamento do Agora RN.

As decisões apontaram diferentes irregularidades, como problemas na composição das amostras, informações cadastrais inconsistentes, falhas na coleta de entrevistas e divergências nos dados apresentados à Justiça Eleitoral. Uma pesquisa da DataVero, que apontava Allyson Bezerra (União) à frente, mas em empate técnico com Álvaro, também foi considerada irregular.

As pesquisas questionadas destoam da maior parte dos levantamentos registrados em 2026, que vêm indicando Allyson na primeira colocação. Pesquisa do Instituto Exatus, divulgada em 21 de julho, apontou Allyson com 41,78%, contra 26,05% de Álvaro.

As três pesquisas do Veritá foram as primeiras a ser suspensas. Os levantamentos RN-02256/2026 e RN-04097/2026 tiveram a circulação proibida definitivamente pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE), que também aplicou multas de R$ 53.205 para cada pesquisa.

Entre os problemas apontados estavam inconsistências nas variáveis de escolaridade e renda, falta de clareza sobre as bases utilizadas e, em um dos casos, problemas no cronograma de aplicação dos questionários.

A terceira pesquisa do Veritá, registrada sob o número RN-06276/2026, atribuía 41,6% a Álvaro, 28,3% a Cadu Xavier (PT) e 27,8% a Allyson. O levantamento foi suspenso dois dias após a divulgação e, em 11 de agosto, declarado irregular pelo TRE-RN, com multa de R$ 58.525,50.

A Justiça também considerou irregular a pesquisa RN-07670/2026, da PNH/Affare. O estudo apontava Álvaro com 32,6%, Allyson com 27,8% e Cadu com 25%, mas apresentou divergências entre a composição prevista e a amostra efetivamente coletada por faixa de renda, resultando em multa de R$ 53.205.

Os casos envolvendo Ipsensus e Média Inteligência apresentam questionamentos ainda mais graves. Na pesquisa RN-09520/2026, da Ipsensus, foram identificados entrevistadores com volume de trabalho considerado inverossímil, códigos repetidos, ausência de geolocalização e divergências no cadastro da responsável técnica.

O levantamento da Ipsensus foi suspenso em 11 de agosto por decisão liminar do desembargador eleitoral Hallison Rêgo. A pesquisa apontava Álvaro com 32,5%, Allyson com 27,3% e Cadu com 16,8%, e ainda não teve julgamento definitivo.

Já a pesquisa RN-08092/2026, da Média Inteligência, dava 32,1% a Álvaro, 27,5% a Allyson e 18,1% a Cadu. A Justiça identificou, entre outros pontos, 450 entrevistas realizadas antes do período registrado e coordenadas de GPS incompatíveis com os municípios informados.

Também foram apontados deslocamentos que exigiriam velocidades de até 337 quilômetros por hora. A divulgação do levantamento foi suspensa por decisão liminar.

As pesquisas da Ipsensus e da Média ainda podem gerar desdobramentos na esfera criminal. No caso da Ipsensus, foi determinada a abertura de inquérito pela Polícia Federal, enquanto o Ministério Público Eleitoral pediu apuração sobre possíveis delitos relacionados à divulgação de pesquisa fraudulenta, embaraço à fiscalização e falsidade ideológica eleitoral no caso da Média.

Em parecer de 28 de agosto, o Ministério Público Eleitoral afirmou que a repetição de problemas, de profissionais e de conexões empresariais “indicia a existência de esquema organizado de produção e divulgação de pesquisas fraudulentas destinadas a influenciar a formação da vontade do eleitorado”. O órgão recomendou uma “apuração em amplitude máxima”.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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