Cidades
20/05/2026
Pescadores potiguares fecharam a Avenida Duque de Caxias, em Natal, nesta quarta-feira (20). O protesto em frente à SFPA (Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura) cobra a liberação emergencial da pesca da ova do peixe-voador.
O impasse burocrático congelou o setor e ameaça o sustento de várias colônias litorâneas. Conhecida internacionalmente como "golden caviar", a iguaria é disputada na culinária japonesa e vale cerca de R$ 67 por apenas 80 gramas no exterior.
Trabalhadores de cidades como Galinhos, Macau e Guamaré foram recebidos pelo órgão federal para exigir agilidade. A técnica tradicional consiste em recolher os ovos em palhas de coqueiro, sem ferir ou capturar os peixes adultos.
A dor de cabeça começou após o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apreender uma carga gigante no Ceará. O carregamento rumo a Taiwan estava avaliado em R$ 15,7 milhões e acabou retido por falta de licença nacional.
Em depoimento coletado pelo Agora RN, o pescador Isailton Tavares desabafou sobre o drama das famílias.
“ Muitos pescadores e donos de barco pescam durante todo esse período e mantém a sua família com esses recursos, porque, depois, o pescado fica mais escasso. Por isso que a gente está reivindicando a volta da liberação de uma licença para a gente poder trabalhar com a ova”
O trabalhador também criticou a falta de aviso prévio por parte das autoridades ambientais.
“Essa questão de regulamentação nunca foi solicitada para o pescador. E hoje eles estão reivindicando uma regulamentação sem avisar os termos aos pescadores. De repente, trancaram a venda para exportação. Aí como é que o pescador pesca se não vende?”
Enquanto o bolso do trabalhador esvazia, a papelada tramita lentamente nas esferas federais. O MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) informou que o ordenamento segue o rito padrão de análise do governo federal.
Uma reunião entre o MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e o ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) ocorreu em Brasília para tentar costurar uma saída jurídica. As comunidades agora correm contra o tempo para salvar o faturamento da temporada.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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