Política
17/04/2026
Fim de tarde numa calçada do interior. Seu Belarmino acabara de comprar o pão quando se aproximou do vizinho João Batista, o mais antenado da rua.
— Boa tarde, João. Posso sentar um pouquinho para saber as novidades da política?
— Claro, homem. Pegue sua cadeira de balanço e vamos colocar a conversa em dia.
— A tal janela partidária fechou e quem tinha de sair dos governos já saiu. Por conta disso, houve muita movimentação para definir as chapas de cada grupo. Esse jogo está jogado? — perguntou Belarmino.
— Nada. Estamos longe disso. Até as convenções partidárias — que vão ocorrer entre o fim de julho e o começo de agosto — muita água ainda vai correr debaixo da ponte — respondeu Batista.
— Por que você fala isso?
— Ora, as chapas dos três principais concorrentes — Allyson, Álvaro e Cadu — ainda estão em aberto.
— A do PL, João, me parece praticamente fechada.
— Aparentemente, está. Mas Flávio Rocha pode estragar a festa de Coronel Hélio e disputar o Senado, principalmente se Zema for o vice de Flávio Bolsonaro. Tem também a história de que está faltando mulher na chapa.
— E o grupo de Fátima, que lançou Cadu Xavier ao governo?
— A governadora está articulando muito. Como ela não é mais candidata ao Senado, trabalha 24 horas por dia para derrotar a direita. Sonha dia e noite em puxar de vez Ezequiel Ferreira de Souza para o palanque, entregando a ele a indicação do vice, entre outros arranjos. Soube de mais uma: a rádio-peão tem dito que Fátima voltou a conversar com Zenaide.
— Será? Pelo que sei, Zenaide preferiu Allyson Bezerra, deixando o PT de lado.
— Anote aí. Vá por mim. Zenaide precisa de votos no centro e na esquerda. E de onde vai buscar isso? Junto ao eleitorado do PT. Tem caroço nesse angu — falou o observador, empolgado.
— Vixe! Está chegando a minha hora. Socorro já deve estar louca para servir a janta. Mas ainda lhe pergunto: Allyson aguenta o tranco até outubro?
— Na minha opinião, Allyson precisa de alguém para colocá-lo debaixo do braço em Natal e na região metropolitana, onde ele não é tão forte.
— Quem?
— Esse alguém é o Cabeção: Carlos Eduardo Alves, que pode ser o candidato ao Senado na chapa do menino de Mossoró. O danado vai ser encontrar um chapéu de couro que caiba na cabeça do ex-prefeito de Natal — disse João Batista, dando uma gargalhada.
— Você é fogo, João. Pensa em tudo — até chapéu para o Cabeção — risos. Boa noite, vou tomar minha sopa.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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