Economia
07/04/2026
Há revoluções que não fazem barulho. Cabem na ponta do dedo — e, ainda assim, movem o mundo. Os semicondutores, esses “cérebros” invisíveis que operam do celular ao carro, expõem uma fragilidade crônica do Brasil: dependência externa. China e Taiwan falam a língua que abastece nossas linhas de produção. Quando esse idioma falha, como na pandemia, o país para — e a conta chega em forma de inflação e escassez.
Agora, uma virada começa a ser desenhada dentro da Universidade de São Paulo. A chamada Pocket-Fab — uma fábrica de chips de bolso — rompe a lógica dos megacomplexos industriais. Em apenas 150 metros quadrados, com investimento de R$ 89 milhões, o projeto nasce com ambição de produzir milhões de unidades por ano e, sobretudo, de ser replicado. A meta é clara: espalhar polos pelo país e construir autonomia tecnológica.
O conceito é simples e poderoso: levar a indústria até onde está a demanda. Não se trata apenas de fabricar chips, mas de reorganizar o mapa produtivo brasileiro. Há insumos, há energia, há conhecimento. Falta articulação.
A iniciativa já nasce conectada ao setor produtivo. A Federação das Indústrias de São Paulo e o Senai entram como parceiros para alinhar as Pocket-Fabs às necessidades reais do mercado — um elo essencial para transformar pesquisa em escala industrial.
É aqui que entra o Rio Grande do Norte.
O estado reúne condições estratégicas: matriz energética competitiva, potencial logístico, vocação industrial em expansão e, não menos importante, capital humano em formação. Mas oportunidade, na política e na economia, não bate duas vezes à mesma porta.
Se a Pocket-Fab é o embrião de uma nova política industrial, o RN precisa se colocar na mesa — e rápido. Governantes, bancada federal, setor produtivo e academia têm diante de si uma agenda objetiva: pleitear uma dessas unidades, atrair investimentos associados e inserir o estado na cadeia global de tecnologia.
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte pode capitanear muito bem essa iniciativa.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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