Política
22/07/2026
A repercussão da declaração do senador Styvenson Valentim de que poderá indicar a própria irmã para a primeira suplência de sua candidatura à reeleição é compreensível. Afinal, trata-se de uma escolha que inevitavelmente desperta o debate sobre nepotismo, patrimonialismo e os limites entre confiança pessoal e interesse público.
Mas há um detalhe importante: Styvenson não está inventando essa prática. Está apenas repetindo um velho vício da política brasileira.
Ao longo das últimas décadas, o Senado acumulou casos emblemáticos de suplências ocupadas por parentes. Antônio Carlos Magalhães indicou o filho, ACM Júnior. Edison Lobão fez o mesmo com Lobão Filho. Ciro Nogueira escolheu a mãe, Eliane Nogueira. Vital do Rêgo levou a mãe, Nilda Gondim. Mais recentemente, Davi Alcolumbre manteve o irmão, Josiel Alcolumbre, como primeiro suplente.
A lista mostra que o problema não tem partido nem ideologia. É uma cultura política que atravessa governos, legendas e gerações.
Nada disso torna a escolha de Styvenson menos questionável. Pelo contrário. O fato de ser uma prática antiga não a transforma em uma boa prática.
A suplência no Senado já é um instituto que desperta críticas por permitir que alguém chegue ao mandato sem receber um único voto. Quando essa vaga é reservada a um parente, a sensação de que o cargo pertence à família — e não ao eleitor — apenas se fortalece.
Num ambiente verdadeiramente republicano, esse é um costume que deveria ter ficado no passado.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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