Justiça
12/02/2026
O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou uma nova nota oficial nesta quinta-feira (12) para esclarecer a participação do magistrado em uma empresa familiar que negociou cotas de um resort no Paraná.
O caso ganhou repercussão após relatórios da Polícia Federal (PF) mencionarem o nome do ministro em investigações envolvendo o Banco Master.
Participação societária
De acordo com a nota, Toffoli é sócio da empresa Maridt, uma holding familiar composta por ele, seus irmãos e outros parentes. O gabinete defende a legalidade da situação, citando a Lei Orgânica da Magistratura (Loman):
O magistrado pode integrar quadros societários e receber dividendos.
A única vedação é a prática de atos de gestão ou administração da empresa.
Resort Tayaya
Um dos pontos centrais da nota é a linha do tempo das transações envolvendo o resort Tayaya, localizado em Ribeirão Claro (PR). Segundo o gabinete, a Maridt vendeu sua participação em duas etapas, ambas declaradas à Receita Federal:
Setembro de 2021: Venda de parte das cotas para o fundo Arllen.
Fevereiro de 2025: Venda do restante para a empresa PHD Holding.
O ministro enfatiza que o inquérito que apura fraudes financeiras no Banco Master só chegou ao seu gabinete em novembro de 2025, momento em que a família já não possuía mais vínculo com o empreendimento.
Investigação da Polícia Federal
A manifestação ocorre após o ministro Edson Fachin, presidente do STF, notificar Toffoli sobre um relatório da PF. O documento contém mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Master, que mencionam o ministro.
A defesa de Toffoli rebate as suspeitas com os seguintes argumentos:
Inexistência de relação: O ministro afirma não possuir qualquer vínculo de amizade com Vorcaro ou com seu cunhado, Fabiano Zettel.
Ausência de repasses: A nota nega categoricamente o recebimento de valores por parte dos investigados.
Questionamento à PF: O gabinete afirmou anteriormente que a PF não tem legitimidade para pedir a suspeição de magistrados e classificou as conclusões do relatório como "ilações".
Pressão
Toffoli tem enfrentado questionamentos sobre sua conduta no caso Master. Além da venda do resort, outros episódios geraram críticas, como uma viagem em jatinho particular com o advogado de um investigado e decisões consideradas atípicas, como o pedido de envio de provas brutas ao STF antes da perícia oficial da PF — decisão da qual o ministro recuou posteriormente.
O caso agora segue sob análise interna no STF, onde Toffoli deve apresentar suas explicações formais ao ministro Fachin.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
ver mais
Receba notícias exclusivas