Justiça
20/05/2026
O STF (Supremo Tribunal Federal) aguarda o posicionamento da PGR (Procuradoria-Geral da República) para destravar o julgamento sobre a Lei da Dosimetria. O parecer é um dos últimos passos antes de o relator, ministro Alexandre de Moraes, liberar o caso para o plenário.
A Câmara dos Deputados e o Senado Federal enviaram manifestações defendendo que a norma é totalmente válida. O Congresso argumenta que a tramitação foi regular e que definir regras de execução penal é uma função do Legislativo.
Na contramão, a AGU (Advocacia-Geral da União) acionou o tribunal para pedir a suspensão imediata da legislação. O órgão assina o parecer em nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sustenta que o texto é inconstitucional.
A Lei da Dosimetria flexibiliza a progressão de regime para crimes contra o Estado Democrático de Direito. Lula chegou a vetar a proposta por completo, mas os parlamentares derrubaram a barreira e promulgaram a medida.
A nova legislação virou alvo de quatro ações de partidos políticos e da ABI (Associação Brasileira de Imprensa). Os autores dizem que o texto blinda investigados por tentativa de golpe de Estado, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Alexandre de Moraes comanda a relatoria de todos os processos que contestam a regra no tribunal. Na semana passada, o ministro congelou os primeiros pedidos de presos do 8 de janeiro que queriam o benefício.
O magistrado adotou o rito legal que exige explicações urgentes das cúpulas dos poderes da República. Após as respostas do Congresso e de Lula, o processo segue para a AGU e depois para a PGR.
A Procuradoria terá o prazo de três dias para cravar se a lei deve ser mantida ou derrubada. O veredito do órgão vai balizar o voto que Moraes levará ao plenário da Corte.
Mesmo contra a lei, a AGU precisa atuar formalmente no papel de defensora da norma questionada. A engenharia jurídica serve para cumprir uma exigência expressa da Constituição Federal.
Nos bastidores, contudo, a tendência é que a advocacia governamental repita as críticas ao projeto. O órgão deve usar o espaço para reforçar os argumentos de que a lei possui graves vícios de origem.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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