Economia
31/03/2026
O Brasil pode enfrentar uma nova alta no preço do diesel nas próximas semanas. Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, afirma que o reajuste é vital para evitar o desabastecimento.
Em entrevista ao portal NeoFeed, o ex-gestor alertou que a tensão entre Irã e Estados Unidos encareceu o barril. O petróleo tipo Brent já bateu a marca de US$ 107,98 neste mês de março.
Para Prates, o governo precisa autorizar uma subida de R$ 0,22 a R$ 0,38 por litro vendido às distribuidoras. Ele defende que o calendário das eleições não deve travar essa decisão técnica.
“A Petrobras não pode prejudicar o acionista para assumir todo esse ônus sozinha. Ela fez um aumento e, se tiver que fazer outro, vai fazer. E o presidente tem de entender. Se vai atrapalhar a eleição, desculpe”, disparou.
A estatal vive um dilema constante entre o lucro e sua função social. Prates compara a situação com gigantes como a Total, na França, e a Equinor (antiga Statoil), na Noruega.
“Ela tem o ônus e o bônus de ter o estado como sócio. A empresa ganha muito por ser sócia do governo. Você tem de ser habilidoso e perito em gangorra”, avalia o ex-presidente.
O governo federal já tentou aliviar o bolso do motorista com renúncia fiscal. Foram cortados tributos como PIS (Programa de Integração Social) e COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).
Essa manobra custou R$ 30 bilhões aos cofres públicos em isenções e subvenções. Prates, porém, acredita que o caminho escolhido pelo Palácio do Planalto é o menos eficiente.
Ele sugere usar uma conta de estabilização abastecida por royalties (valores pagos pela exploração de recursos naturais). “Hoje o governo está tirando do imposto e entendo que deveria ser outro caminho”, criticou.
Sobre a Vibra (antiga BR Distribuidora), Prates reprova a ideia de uma reestatização improvisada. Ele prefere uma recompra gradual de fatias da empresa no mercado financeiro.
“Em vez de improvisar uma reestatização, o caminho factível é conversar com os acionistas da Vibra e negociar uma recomposição gradual de participação”, explicou.
As ações da Petrobras seguem em ritmo de festa, com valorização de 61,7% em 2026. Atualmente, a companhia vale imponentes R$ 676,7 bilhões.
Mesmo com o sucesso financeiro, o fantasma da defasagem ronda os postos. Prates insiste que o diálogo com o presidente Lula deve ser franco para garantir a sustentabilidade da empresa.
A solução passaria por manter o preço em níveis brasileiros, mas sem ignorar o cenário externo. Resta saber se o governo terá fôlego político para aplicar a alta antes da Semana Santa.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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