Mundo
04/11/2026
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), produziram uma contundente derrota para Donald Trump. Impulsionado pela insatisfação popular com a Casa Branca, o Partido Democrata superou as projeções e conquistou posições históricas no Congresso e nos governos estaduais.
As estimativas apontam que os democratas poderão alcançar 255 das 435 cadeiras da Câmara, um avanço de 40 vagas em relação a 2024. No Senado, a projeção é de 55 das 100 cadeiras, oito a mais que na eleição anterior. O partido também deverá governar pelo menos 26 estados, contra 23 anteriormente.
A chamada onda azul rompeu hegemonias republicanas de décadas. Entre as vitórias estão as de James Talarico, no Texas; Troy Jackson, no Maine; Annie Andrews, na Carolina do Sul; e Adam Hamilton, no Kansas. Jon Ossoff foi reeleito na Geórgia, enquanto Roy Cooper venceu na Carolina do Norte.
Nos governos estaduais, as eleições também registraram marcos de representatividade, com as vitórias de Keisha Lance Bottoms e Gina Hinojosa, respectivamente na Geórgia e no Texas.
O resultado reflete o desgaste de Trump, cuja desaprovação chegou a 65%. A alta do custo de vida, os efeitos das tarifas comerciais, a política de imigração e o envolvimento americano em conflitos internacionais alimentaram a insatisfação do eleitorado.
Os democratas conseguiram reunir uma coalizão diversificada, formada por eleitores latinos, negros, jovens, mulheres dos subúrbios e setores religiosos. A estratégia permitiu ao partido conquistar votos em regiões tradicionalmente conservadoras e recuperar parte do eleitorado perdido em 2024.
A derrota também enfraquece a influência internacional do trumpismo, especialmente na América Latina, onde o presidente americano ampliou sua interferência política.
Apesar do revés, Trump promete resistir à nova maioria democrata no Congresso e recorrer ao poder de veto para bloquear iniciativas da oposição. O cenário aponta para dois anos de confronto político até a eleição presidencial de 2028.
A vitória coloca novos desafios para os dois partidos. Os democratas precisarão transformar uma coalizão heterogênea em projeto nacional, enquanto os republicanos terão de enfrentar o desgaste do presidente e a disputa por sua sucessão, envolvendo o vice JD Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
O resultado das urnas não encerra o governo Trump, mas altera profundamente a correlação de forças em Washington e antecipa a disputa pelo futuro político dos Estados Unidos.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 96 FM Natal, 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras.
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