Justiça
24/02/2026
A expressão “império de penduricalhos” foi usada pelo ministro Flávio Dino ao fundamentar a decisão liminar que bloqueou os supersalários nos três Poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário.
— Não se pode admitir a perpetuação de um verdadeiro império de “penduricalhos” que, sob o manto de supostas verbas indenizatórias, desfigura o teto constitucional e drena recursos públicos essenciais para outras áreas da sociedade — argumentou o ministro do STF.
Amanhã, dia 25, o distinto público poderá acompanhar, pela TV Justiça, o julgamento da liminar no plenário do Supremo Tribunal Federal.
Será um espetáculo interessante. Pelo menos 11 entidades — que representam juízes, promotores, defensores públicos e membros dos tribunais de contas, entre outros — pediram para ocupar a tribuna como amicus curiae, os “amigos da Corte”.
Todos, claro, dispostos a defender o indefensável: verbas pagas, muitas vezes sem base legal consistente, que permitem ultrapassar o teto constitucional — hoje fixado em R$ 46.366,19.
Há casos no Judiciário que, em 2024, superaram R$ 700 mil em um único mês, como o de um desembargador em Rondônia. Um ministro do Tribunal Superior do Trabalho recebeu R$ 641 mil no mesmo período.
O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte não foge à regra — no mínimo, questionável.
Em janeiro deste ano, o presidente da Corte estadual, desembargador Ibanez Monteiro, registrou o maior rendimento entre os magistrados dos Judiciários estaduais do país.
Levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que o magistrado recebeu R$ 384,5 mil no primeiro mês do ano — cerca de oito vezes o teto do funcionalismo público.
Os dados indicam ainda que, em janeiro, 100% dos magistrados do TJRN — entre juízes e desembargadores — receberam acima do teto constitucional.
Entre os dez maiores rendimentos do país no período, o TJRN aparece novamente: o desembargador Amílcar Maia recebeu R$ 292 mil e ocupou a sexta posição no ranking nacional. Os números são estarrecedores.
Pelo visto, muitos dos beneficiários do “império de penduricalhos” estarão amanhã de olhos grudados na TV Justiça. Sessão da tarde — com direito a pipoca e outras guloseimas.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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