Economia
20/05/2026
A proposta que proíbe o regime de trabalho 6x1 promete pesar fundo no bolso das cidades brasileiras. O rombo estimado nas contas municipais atinge a marca de R$ 46 bilhões, de acordo com as contas da CNM (Confederação Nacional dos Municípios).
A entidade já ligou o sinal de alerta máximo no Congresso Nacional. Os prefeitos tratam o projeto como uma das principais "pautas-bomba" da atualidade.
A mudança mexe diretamente com o atendimento básico ao cidadão. Setores vitais como saúde, limpeza urbana, educação e assistência social correm o risco de sofrer apagões de pessoal.
Para manter os postos funcionando, os municípios estimam que precisarão inflar o quadro de funcionários de forma expressiva. A projeção aponta a necessidade de convocar cerca de 700 mil novos servidores.
O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, exige que o setor público seja incluído de vez no debate. “Não se discute esse impacto no serviço público, parece que a alteração seria só para o setor privado. Atinge, sim, os servidores públicos efetivos de todos os entes federados”, afirmou.
O prejuízo também deve respingar nos serviços terceirizados. A coleta de lixo, por exemplo, vai demandar aditivos contratuais para colocar mais braços nas ruas.
“O lixo é terceirizado, mas alguém coleta o lixo, vai ter que botar mais gari e ele vai ter que rearticular o contrato dele com a prefeitura”, explicou Ziulkoski.
Enquanto isso, a pressão política nos bastidores de Brasília segue intensa. Os gestores locais enviaram um documento contrário à medida para os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre.
Os prefeitos não descartam judicializar a disputa caso o texto avance. Eles avaliam acionar o STF (Supremo Tribunal Federal) para barrar a medida considerada prejudicial às finanças locais.
Por outro lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva encampou a redução da jornada como vitrine para sua campanha de reeleição. O governo defende que a mudança traz qualidade de vida e reduz o desgaste físico dos trabalhadores.
A queda de braço dominou as discussões na Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios. Lideranças locais debatem o fantasma do impacto financeiro na capital federal até amanhã (21).
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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