Fim da escala 6x1 pode custar R$ 3 bilhões e cortar vagas no Rio Grande do Norte

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Agência Brasil
Mudança ameaça ceifar 7.800 empregos formais e gerar um custo extra de R$ 3 bilhões anuais para as empresas potiguares.

Economia

27/05/2026

A proposta para sepultar a escala 6×1 e reduzir a jornada semanal promete uma ressaca pesada para a economia do Rio Grande do Norte. A mudança ameaça ceifar 7.800 empregos formais e gerar um custo extra de R$ 3 bilhões anuais para as empresas potiguares.

Projeções do IFC (Instituto Fecomércio) e da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) indicam ainda que a conta vai sobrar para o bolso do consumidor. O custo de vida pode saltar até 13% com o reajuste forçado de preços na praça.

Ilusão e desinformação na base

Uma sondagem do IFC com 1.305 trabalhadores revelou que o tema é cercado por desconhecimento generalizado. Embora 89% tenham ouvido falar do projeto, meros 8,7% compreendem de verdade seus desdobramentos práticos.

A própria classe trabalhadora já fareja o perigo e prevê uma disparada na rotatividade de pessoal (71,1%) e na informalidade (65%). O acúmulo de funções (63,5%) e o sumiço das carteiras assinadas (60,2%) também tiram o sono dos entrevistados.

O apoio à medida despenca de 75% para 55,6% assim que os riscos reais entram na conversa. O medo de ver o salário minguar (44,8%) e o desemprego subir (37,8%) são os principais freios para o entusiasmo inicial.

O estudo joga luz sobre uma ironia cruel do mercado de trabalho. Os profissionais de menor renda, que mais torcem pela alteração, serão as primeiras vítimas de demissões ou do empurrão para a informalidade.

No cenário federal, o tombo estimado pela CNC atinge assustadores R$ 357,4 bilhões anuais. Cerca de 631 mil postos de trabalho correm o risco de simplesmente sumir no mapa brasileiro.

O presidente do Sistema Fecomércio no RN, Marcelo Queiroz, defende o diálogo em vez de regras uniformes. Ele prega saídas que garantam a sobrevivência do comércio regional.

“O comércio de bens, serviços e turismo é extremamente heterogêneo, envolvendo desde micro e pequenas empresas até grandes redes, além de atividades com forte sazonalidade, como o turismo e a hospitalidade. Uma legislação impositiva e uniforme pode gerar efeitos adversos, como fechamento de estabelecimentos, demissões e aumento de preços ao consumidor, conforme nossos estudos projetam. Qualquer mudança neste sentido deve ocorrer por meio da negociação coletiva, respeitando a diversidade, as especificidades regionais e as diferentes realidades econômicas do setor”, afirma Queiroz.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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