Empresas do RN têm as dívidas mais salgadas do Nordeste

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Apenas em fevereiro de 2026, o Rio Grande do Norte registrou 90.093 CNPJs no vermelho.

Economia

29/04/2026

O Rio Grande do Norte figura no topo do mapa da inadimplência empresarial nordestina pelo peso dos débitos. Em fevereiro de 2026, o estado registrou 90.093 CNPJs no vermelho.

O calote potiguar soma R$ 1,82 bilhão, liderando a região em indicadores críticos. A dívida média por empresa no estado bateu R$ 20,2 mil, valor superior aos vizinhos maiores.

Cada empresário inadimplente no RN carrega, em média, seis pendências financeiras. Os dados são do indicador da Serasa Experian, empresa de análises e informações para decisões de crédito.

“Esse resultado mostra que a inadimplência precisa ser analisada não apenas pelo volume de empresas, mas também pela intensidade das dívidas”, afirma Camila Abdelmalack, economista-chefe da Serasa. Segundo ela, os débitos estão concentrados em valores elevados.

Pequenos negócios são os mais atingidos, representando 95,2% das empresas com contas atrasadas. O setor de serviços é o que mais sofre, concentrando 55,4% da inadimplência nacional.

No Brasil, o cenário de bolso vazio também assusta. São 8,8 milhões de empresas inadimplentes, acumulando um rombo de R$ 204,6 bilhões.

Camila Abdelmalack explica que o crédito seletivo e os juros proibitivos travam a recuperação. “O aumento do volume das dívidas das empresas reflete, principalmente, a combinação entre juros ainda elevados, crédito mais seletivo e maior dificuldade de rolagem de passivos”, diz.

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) iniciou um ciclo de queda, mas o alívio não chegou ao balcão. O custo do dinheiro segue alto devido à percepção de risco das instituições financeiras.

Enquanto o RN tem a dívida média mais alta do Nordeste, Alagoas registra o menor valor, com R$ 10,9 mil. O desequilíbrio mostra que a crise atinge o estado de forma mais agressiva e persistente.

A Serasa não prevê uma melhora mágica no curto prazo. “A tendência é de ajuste lento, condicionado à melhora mais consistente das condições de crédito e do ambiente macroeconômico”, conclui a economista.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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