Economia
20/05/2026
O bolso do natalense está operando no vermelho. O total de famílias endividadas em Natal atingiu a marca de 84,6% em março de 2026, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor).
Os dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) preocupam os especialistas. O fantasma do calote e a queda no consumo ameaçam travar a economia local nos próximos meses.
O índice da capital potiguar supera com folga a média nacional, que gira em torno de 70%. O aperto financeiro por aqui é maior que o de Recife (80,9%) e raspa nos 89% registrados no Ceará.
Entre as contas pendentes estão o cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja e prestações de carro ou casa. O risco econômico imediato se traduz na perda real do poder de compra da população.
O presidente do IFD (Instituto Brasileiro de Finanças Digitais), Rodrigo de Abreu, adverte sobre os cortes no orçamento doméstico. “Quando vai ao mercado, a família opta por produtos mais baratos ou, no limite; elimina certos itens da lista de compras, como a carne bovina”, disse.
A combinação de renda baixa com mercado de trabalho informal explica o cenário dramático. Para fechar o mês, o trabalhador recorre a empréstimos que cobram taxas muito mais caras por causa do risco.
Nem as iniciativas governamentais conseguem estancar a sangria financeira de forma definitiva. O Desenrola 2.0, lançado recentemente pelo governo federal, funciona apenas como um remédio temporário para a crise.
“Aliviam o endividamento, mas são somente um paliativo. O melhor exemplo disso é o próprio Desenrola 1.0, que veio, foi bom, mas não resolveu o problema”, afirmou Abreu.
O especialista coloca a culpa do sufoco em vilões conhecidos, como os juros elevados e a inflação insistente. O avanço desenfreado das apostas online também ajuda a pulverizar o salário do cidadão.
O cartão de crédito desponta como o maior vilão e o principal termômetro do desequilíbrio das finanças. Dados do Banco Central indicam que os juros da modalidade chegam a assustar com médias de 15% ao mês.
“Basta deixar de pagar uma ou duas faturas do cartão para que já haja sérios riscos de a dívida virar uma bola de neve”, concluiu o presidente do instituto.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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