Política
27/02/2026
A CPMI do INSS aprovou ontem (26) requerimento que pede a decretação da prisão preventiva do sindicalista Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, investigado por descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
O pedido foi apresentado pelo relator, deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo o parlamentar, quando presidia a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), o investigado teria atuado para viabilizar descontos que somam R$ 221,1 milhões em benefícios do INSS.
De acordo com a relatoria, entre fevereiro de 2023 e março de 2025 foram registrados 19.938 processos judiciais relacionados ao caso — 97% com a entidade no polo passivo. Em consultas feitas nas plataformas do INSS, 99,5% dos 215.440 beneficiários ouvidos afirmaram não reconhecer os descontos. A CBPA deixou expirar praticamente todas as contestações, o que, segundo o relatório, configuraria reconhecimento tácito das irregularidades.
As diligências da CPMI apontaram ainda a tentativa de inclusão de descontos em 40.054 benefícios já encerrados por óbito do titular. Há registro de pedido em nome de suposta filiada falecida sete anos antes da solicitação — com data de morte anterior à própria fundação da entidade. Para o relator, a conduta pode caracterizar inserção de dados falsos no sistema da Dataprev.
Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) também indicou que a CBPA não apresentou documentação comprobatória da regularidade dos descontos em 100% dos casos analisados. A entidade alegou extravio de fichas de filiação após mudança de sede.
Alfredo Gaspar sustenta ainda que o investigado teria influência na administração pública, inclusive com participação em nomeações no Ministério da Pesca, o que poderia comprometer a instrução processual.
A CPMI identificou, por fim, repasses superiores a R$ 94 milhões da CBPA a diversas empresas. Segundo a relatoria, parte expressiva dos recursos foi destinada a pessoas jurídicas ligadas ao esquema investigado, incluindo núcleos associados a outros investigados, como Felipe Macedo Gomes e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Para o deputado, o volume e a pulverização das transações indicam possível lavagem de dinheiro.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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