Economia
19/05/2026
O bolso do natalense apertou e a capital potiguar perdeu altitude no ranking nacional de consumo. A cidade despencou da 29ª para a 37ª colocação, registrando o maior tombo entre os grandes municípios brasileiros.
Os dados do anuário IPC (Índice de Potencial de Consumo) Maps 2026 revelam que a economia local deve movimentar R$ 30,2 bilhões este ano. O tombo representa uma retração nominal de 4,4% comparado ao ano passado.
Essa freada é a segunda mais acentuada entre as maiores capitais do País. O recuo em Natal só fica atrás do registrado em Fortaleza.
A culpa por esse desandou econômico vem do encolhimento da classe média e da redução de residências. O responsável pela pesquisa, Marcos Pazzini, joga luz sobre essa dança das cadeiras social.
“E em 2026, também tivemos uma queda no eixo da pirâmide social: a classe B teve diminuição de 19,4% na cidade, enquanto a classe C reduziu 4,3%. Por outro lado, a classe D/E cresceu 18%, juntamente com a classe A (+12,5). A expansão da classe A, no entanto, não foi suficiente para compensar a migração social para as classes D e E”, detalhou Marcos Pazzini à Tribuna do Norte.
Apesar do encolhimento, a classe C segue liderando o comércio local com R$ 10,7 bilhões em gastos. Logo atrás aparecem as classes B, A e o grupo D/E.
A maior fatia das despesas na cidade se firma no setor de habitação, que deve abocanhar R$ 5,4 bilhões. Gastos com serviços, alimentação fora de casa e veículos completam a lista de prioridades.
Nem tudo é notícia ruim nessa maré financeira. O número de empresas na capital saltou 10%, alcançando a marca de 111,5 mil CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica).
Pazzini aposta que essa reação empresarial vai puxar a economia de volta para o azul. O especialista projeta um horizonte melhor para os próximos meses.
“Então, a tendência é de recuperação desse potencial em 2027 e ao longo dos próximos anos”, complementa Pazzini.
As vizinhas Parnamirim e Mossoró também perderam posições na lista nacional por correrem mais devagar que as concorrentes. Contudo, as duas cidades conseguiram registrar crescimento nominal em suas receitas.
O economista Janduir Nóbrega alerta que o cenário exige cautela redobrada dos comerciantes. Ele aponta os juros altos e o endividamento familiar como grandes vilões do momento.
“Os juros elevados encarecem o crédito e dificultam o acesso das empresas às diferentes formas de financiamento. As que conseguirem vencer essa barreira terão uma produtividade mais cara e, quem paga por isso é o consumidor final”, analisa.
Olhando para o mapa geral, o RN conseguiu segurar a 19ª posição nacional. O estado deve movimentar R$ 102,4 bilhões, registrando uma leve alta de 0,5%.
No cenário federal, o PIB (Produto Interno Bruto) deve crescer 1,8%. Com isso, o Brasil inteiro projeta movimentar R$ 8,6 trilhões, com a classe C comandando a festa do consumo.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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