Economia
29/05/2026
O Rio Grande do Norte começou a desenhar uma nova frente econômica no campo. Produtores locais avançam no cultivo de cafés das variedades robusta e arábica pelo semiárido.
A transformação ganha força com a consolidação do Projeto Cafés do RN. A iniciativa é coordenada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no RN.
O programa reúne agricultores em fase de implantação e expansão de lavouras comerciais. As plantações ocupam áreas de seis municípios potiguares.
Ceará-Mirim, Maxaranguape, São Miguel do Gostoso, Lagoa Nova, Portalegre e Jaçanã lideram esse movimento. Algumas propriedades planejam as primeiras colheitas comerciais entre 2026 e 2028.
Atualmente, o projeto contabiliza quase 27 hectares dedicados à cafeicultura. As áreas alcançam territórios como Mato Grande, Trairi, Serra de Santana e Alto Oeste.
A estratégia busca construir uma cadeia produtiva organizada desde a sua origem. O plano inclui assistência técnica contínua e validação de variedades adaptadas ao clima.
Elton Alves, gestor da iniciativa no Sebrae, valida o avanço. “O que estamos construindo hoje no Rio Grande do Norte é muito maior do que um projeto de incentivo ao cultivo de café. Estamos estruturando as bases de uma nova cadeia produtiva para o estado".
A expansão surge em meio à alta do mercado de cafés especiais no Brasil. O estado quer ocupar nichos específicos explorando o sabor e as características da terra local.
A escassez de água surge como o principal obstáculo para os agricultores. O solo exige manejo extremamente técnico para viabilizar as plantações comerciais.
O produtor Diogo Castro iniciou o plantio em Jaçanã no ano de 2020. “A decisão de apostar no café aqui no Rio Grande do Norte não nasceu por acaso, mas do desejo de tirar do papel um sonho do meu avô, já falecido, e do meu pai, que sempre acreditaram no potencial das terras da família."
O agricultor reconhece que o clima exige muito da lavoura. “O clima exige muito, a água é escassa e o solo demanda um manejo extremamente técnico. Mas é justamente essa combinação de desafios que torna o projeto tão especial. O café que nasce aqui carrega a identidade e a força do nosso sertão".
Em Ceará-Mirim, Gerlane Magalhães também retomou a tradição familiar há três anos. Ela mantém cerca de mil mudas e foca em processos diferenciados de colheita.
A produtora recorda o passado cafeeiro de sua família na região. “Na década de 1970, meu pai tinha 13 mil pés de café. Cresci acompanhando essa produção, mas nunca imaginei que também plantaria café. Em maio de 2023, decidi retomar como experimento. Produzimos as mudas e hoje já temos mil mudas no campo, com produção e colheita, ainda em pequena escala, porque seguimos nos adequando à gestão da água".
Gerlane mantém o otimismo mesmo com as restrições hídricas do território. “Apesar de todo o trabalho duro, principalmente por causa da questão da água, meu objetivo é produzir um café excelente que chegue à mesa do consumidor e proporcione um momento prazeroso".
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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