Política
10/04/2026
Cadu Xavier (PT) resolveu soltar o verbo contra seus principais oponentes na corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao O Correio de Hoje, o ex-secretário da Fazenda subiu o tom e previu um embate ideológico em 2026.
Para ele, a disputa será um espelho da briga nacional. “É natural que essa polarização nacional se reproduza aqui. É um cenário extremamente possível esse embate no segundo turno entre o candidato da extrema-direita e a nossa candidatura, que é a candidatura do campo democrático”, afirmou.
Cadu não poupou críticas a Álvaro Dias (PL). “O ex-prefeito de Natal é, mesmo que às vezes ele diga que é e depois desdiga, o representante da extrema-direita aqui no Estado”, disparou.
Sobrou munição também para Allyson Bezerra (União Brasil). Cadu chamou o ex-prefeito de Mossoró de “bolsonarista enrustido”.
Segundo o petista, o adversário foge de temas nacionais por puro cálculo eleitoral. “Ele não quer se colocar porque talvez ele tenha medo da repercussão política nos possíveis eleitores dele”, completou.
O "Cadu de Lula" ainda alfinetou as companhias de Allyson no estado. “O palanque dele está repleto de oligarquias”, disse, citando famílias tradicionais da política potiguar.
O pré-candidato defende que o estilo de Allyson em Mossoró revela sua face política. “A gestão lá em Mossoró não valorizou o servidor. Ele não mais está lá, mas tem um acampamento na prefeitura de servidores públicos”, contou.
Cadu também rebateu críticas de Álvaro Dias sobre a falta de obras no governo estadual. Ele listou os Institutos Estaduais de Educação Profissional, Tecnologia e Inovação e o Hospital da Mulher como trunfos de Fátima Bezerra (PT).
O petista fez uma comparação ácida entre os hospitais. “O nosso governo entregou o Hospital da Mulher. Quem for lá agora vai encontrar funcionando. Comparativamente, o cidadão que for ao hospital municipal entregue pela gestão Álvaro Dias vai encontrar o hospital de portas fechadas”, afirmou.
Para ele, o ex-prefeito de Natal é o campeão das entregas parciais. “Entregou um hospital inacabado, entregou obra que não está pronta, fez inauguração sem estar pronta”, acusou.
A estratégia da campanha petista será nacionalizar o debate. “Somos o candidato do presidente Lula”, reforçou o ex-secretário.
Ele garante ter orgulho da alcunha dada pelos adversários. “Temos muito orgulho de ser chamados de Cadu de Lula, porque defendemos as bandeiras e as políticas do governo do presidente”, disse.
Sobre a vice, Luciana Montenegro (PV) é uma opção real no tabuleiro. “É um excelente nome, é uma possibilidade real. Mas temos outras possibilidades”, revelou.
O critério para fechar a chapa envolve fidelidade e votos. “Primeiro, a lealdade. Segundo, o capital político. E terceiro, a contribuição do ponto de vista programático”, explicou.
Cadu prometeu rodar os 167 municípios potiguares para ouvir o povo. Ele também defendeu que o governo Fátima caminha para frente em todos os setores e ostenta uma ficha limpa.
“Não há no governo um escândalo de corrupção”, declarou o petista. Ele acredita que o eleitor vai refletir sobre as melhorias em segurança e infraestrutura.
Na economia, Cadu avisou que a agenda fiscal será prioridade total. Ele quer o estado arrecadando mais do que gasta, mas sem punir o servidor.
Ele rejeitou ideias como o Programa de Demissão Voluntária (PDV). “Isso denota até um desconhecimento do Estado. Fazer um PDV vai agravar ainda mais o problema, porque a gente tem déficit de pessoal no serviço público”, afirmou.
Para ele, o funcionário público é a solução, não o problema. “Não pode tratar o servidor público como problema. A gente está falando do enfermeiro que está no hospital, do policial que está na rua, do professor que está na sala de aula”, defendeu.
Cadu finalizou com otimismo sobre as contas públicas. “A gente inicia uma trajetória de retomada dessa capacidade. Se for mantida no próximo governo, vamos conseguir investir ainda mais”, concluiu.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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