A lógica por trás do reposicionamento energético no RN e no Brasil

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Divulgação/SEDEC
Secretário Hugo Fonseca acredita que o que está em curso não é retração de investimentos, mas maturidade no setor de energia.

Economia

08/05/2026

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio Grande do Norte (Sedec), Hugo Fonseca, faz uma leitura direta — e contraintuitiva — sobre as recentes devoluções de outorgas de geração de energia no Estado: não há fuga de investimentos. Há ajuste.

À primeira vista, o movimento pode soar como sinal de desconfiança no setor elétrico. Mas, segundo o secretário, trata-se de um reposicionamento provocado por mudanças estruturais no marco regulatório e nas condições de mercado.

O ponto de inflexão vem de 2021, com a revisão das regras que sustentavam o crescimento das fontes renováveis. O fim progressivo dos subsídios e a modernização institucional do setor alteraram a lógica de viabilidade dos projetos. A conta ficou mais dura — e mais realista.

Antes disso, houve uma corrida por outorgas. O prazo legal que garantia descontos tarifários incentivou o protocolo apressado de projetos — muitos ainda sem maturidade técnica ou financeira. O que se vê agora, na avaliação de Hugo Fonseca, é a depuração desse estoque.

A esse quadro soma-se um entrave conhecido: a limitação da rede de transmissão. No Nordeste, e particularmente no Rio Grande do Norte, a expansão da geração superou a capacidade de escoamento. Resultado: curtailment, com interrupções compulsórias de geração que elevam o risco e pressionam a rentabilidade dos empreendimentos.

Nesse contexto, devolver a outorga deixa de ser derrota. É decisão racional.

O secretário aponta que o setor entra em uma nova fase — menos dependente de incentivos e mais guiada pela eficiência. Permanecem os projetos robustos, competitivos e tecnicamente consistentes. Os demais tendem a ficar pelo caminho.

Mas há uma inflexão estratégica em curso. O mesmo gargalo que limita o escoamento abre uma nova frente de desenvolvimento: atrair o consumo para perto da geração.

Data centers, estruturas de supercomputação e indústrias eletrointensivas passam a enxergar no Rio Grande do Norte um ambiente favorável, ancorado em energia limpa, abundante e competitiva.

A lógica muda: em vez de exportar energia, o Estado passa a disputar investimentos que consumam essa energia localmente.

Para Hugo Fonseca, o que está em curso não é retração, mas maturidade. Um processo de seleção que tende a qualificar os investimentos e alinhar o setor a um novo ciclo — mais competitivo, mais sustentável e menos dependente de subsídios.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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